O real é moeda sensível a repatriação por japoneses

Extraído de DCI
17/03/11 - 00:00 > POLÍTICA ECONÔMICA

O real é moeda sensível a repatriação por japoneses

Marcelle Gutierrez

São Paulo - O real é a moeda mais vulnerável do mundo diante da possibilidade de repatriação de recursos pelos investidores de varejo japoneses. A afirmação é do estrategista-chefe de câmbio do HSBC, David Bloom. "No mercado de câmbio, o que importa é a liquidez", disse. A maior parte das aplicações japonesas está nos Estados Unidos (US$ 118,6 bilhões), seguidos pela Austrália (US$ 59,9 bilhões), Europa (US$ 40,6 bilhões) e Brasil (US$ 34,3 bilhões), com base em informações de fundos de investimentos.

Para o estrategista, o movimento não deve significar uma dor de cabeça para o governo brasileiro, que vem lutando há meses contra a desvalorização do dólar.

Este movimento seria um contraponto à enxurrada de dólares que desembarca no Brasil este ano, movimento que deve continuar com o esperado aumento das exportações para o Japão. Somente até a segunda semana de março, o fluxo cambial brasileiro está positivo em US$ 30 bilhões, volume 25% maior que o registrado em todo o ano passado.

O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto Castro, estima que a corrente comercial entre os dois países, em 2010, deve ser alterada neste ano a favor do Brasil, que deve registrar saldo positivo de US$ 2 bilhões. Entre os produtos que o Brasil exporta para o Japão, minério de ferro e a carne de frango foram responsáveis por 53% das vendas do País, em valores, para o mercado nipônico em janeiro deste ano.

Se confirmadas, estas estimativas devem ajudar o governo brasileiro na tarefa de desvalorizar o real em relação ao dólar. Esperando por estes efeitos, o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou na última terça-feira que novas medidas cambiais que estavam sendo preparadas pelo governo foram adiadas. O ministro não deu detalhes sobre estas novas medidas que estavam em discussão no governo.

Até mesmo o mercado de seguros do País deve sentir os efeitos da tragédia no Japão. O economista Keyton Pedreira, especializado na área de seguros e previdência, disse não ter dúvidas de que os eventos que ocorreram no Japão (terremoto, tsunami e acidente em usina nuclear) irão provocar aumento nos preços de todas as coberturas do mundo. Ele estima que os aumentos nos preços de seguros em nível mundial poderão ficar, em média, entre 8% e 10%, dependendo da região. A Superintendência de Seguros Privados (Susep) afirmou ontem que ainda não há previsão de aumento nos preços dos seguros aqui no Brasil.

As remessas vindas de migrantes brasileiros no exterior também devem sofrer nova queda este ano, após cair quase 15% em 2010. Mas os bancos brasileiros afirmam que não vão mudar suas estratégias em relação ao país. Banco do Brasil e Santander lançaram programa de ajuda aos brasileiros que estão no Japão.

Os danos materiais causados pelo terremoto devem superar US$ 100 bilhões. O banco JP Morgan estima essas perdas de até US$ 200 bilhões, sem contar efeito da contaminação nuclear.

 

 

Notícias

STJ admite recibo como justo título na usucapião; entenda o requisito

Propriedade STJ admite recibo como justo título na usucapião; entenda o requisito Tema envolve interpretação do art. 1.242 do Código Civil e requisitos da usucapião ordinária. Da Redação terça-feira, 17 de março de 2026 Atualizado às 09:28 Na última semana, a 3ª turma do STJ reconheceu recibo de...

Juíza reconhece domínio de imóvel por usucapião após 40 anos de posse

Posse pacífica Juíza reconhece domínio de imóvel por usucapião após 40 anos de posse Magistrada concluiu que autor comprovou posse contínua, pacífica e com ânimo de dono desde 1982. Da Redação quarta-feira, 11 de março de 2026 Atualizado às 16:01 A juíza de Direito Sara Fontes Carvalho de Araujo,...

STJ preserva testamento sem filha mesmo após paternidade reconhecida

Herança STJ preserva testamento sem filha mesmo após paternidade reconhecida Relatora entendeu que não há rompimento de testamento quando o autor mantém suas disposições mesmo ciente de ação de paternidade. 4ª turma entendeu que não há rompimento quando testador manteve disposição patrimonial mesmo...